26.2.14

Encontra para ti o vento da felicidade

Sim sou louca. E só eles conquistam o Mundo porque só os loucos o compreendem. Porque a lógica é errada aqui. mas como posso ser louca se não valho as minhas vontades ?
Dá-me as rédeas da minha vida e deixa-me ir. Não quero estar aqui. Se ficar muito tempo, morro. E eu ainda quero ver o sol nascer do outro lado. Ainda quero conquistar este globo azul.
Dói-me a mão. Não consigo mais, Tenho o corpo cansado e a alma fragmentada. Não sou mais um. Sou os vários pontos que constituem um só ponto. Quero liberdade.

Quero fugir daqui a nunca mais voltar.

Poesia de Entretenimento

Sonhos alheios que caíram em mim
Estrelas que sobem ao céu
Pelo sopro incompreendido de uma alma errante.

Sombras vagabundas em esquinas da Vida.
Arrepios de saudade.
Lágrimas espelhadas no seio da existência.

Um ponto no Universo.
Eu com todos os outros
E a solidão que me faz companhia.

Poesia de compaixão
De delírio
De segredos rasgados ao vento.
Ana Novo

9.3.13

Verdadeiro lugar


Mais uma noite que adormeço embalada pelas lágrimas da mágoa. Juro-te a ti e às estrelas que não sei o que há de errado comigo. Quanto mais quero que se orgulhem de mim, mais indiferentes são. Eu sei que gostas de mim, mas é inevitável falar da tua preferência. Até há bem pouco tempo era só eu, o que não te deixava muita escolha. Mas, agora, é ela a tua alegria. Eu, sou a paisagem do segundo plano.

Sim, eu olho para cima para não te demonstrar o quanto isso magoa. Não me abraço a ninguém quando mais preciso, porque sei que vou chorar. Invento desculpas patéticas de modo a justificar o meu silêncio. No entanto, o coração aperta e as palavras ecoam na minha cabeça. Não falem. Não aguento mais.

O meu maior desejo é chegar a casa todos os dias com boas novidades para te dar e para te alegrares de mim. Só que isso já não importa. É uma alegria passageira, que aparece só para eu não poder dizer que tu foste indiferente. Só para me resignares à minha simples existência. Ela não tem culpa, eu sei. Nem quero ser injusta, mas tu, se tiveres de escolher, será ela. Eu compreendo. Ela é a alegria, a novidade, e eu já perdi tudo o encanto que até poderia ter, “faço parte da mobília”. Queria deixar-te orgulhoso, encheres-te de lágrimas porque eu fiz sonhos da areia que tu me deste. Porém, isso já não me cabe a mim. Resta-me criar orgulho no que foi, na possibilidade inocente de fazer das memórias palcos de espectáculo  Não vou desistir. Apenas tenho de encontrar o meu verdadeiro lugar. 

19.1.13


Ao longo de todo o percurso histórico, a Humanidade assistiu a vários momentos de pura violência. O facto de submeter outras pessoas à vontade dos superiores, não demonstra nada para além do lado negativo que pertence a cada um de nós. Exemplos como a escravatura, o tráfico humano, o racismo ou guerras civis são apenas casos isolados dos imensos que ilustram a violência. Basta, a cada um de nós, retroceder algumas décadas, e atingimos o auge da brutalidade humana. O momento em que um simples homem declara guerra a praticamente um planeta inteiro e sacrifica milhares de pessoas para fazer valer a sua vontade. E, no fim, o que ficou depois de tanto sangue derramado, de tanta destruição? Nada. Os sonhos caíram por terra, a Humanidade fracassou e apenas restava a dor e o sofrimento. Mas o ser humano é um animal de hábitos. E, da mesma forma que vive a mágoa e a perda, rapidamente muda e esquece-se do seu passado. Faz da vida um livro de rascunho, e rasga o que não convém recordar.
Deste modo, ao tentar esconder de si os seus maiores erros, o ser humano permite que equívocos maiores possam acontecer. De que serve a Declaração Universal dos Direitos do Homem, se é violada constantemente?
A realidade é mais do que vivemos. A realidade é o mundo todo que nos abriga. Temos de ser tolerantes, mas não em demasia. Não podes fechar os olhos ao que acontece em teu redor só porque não é a ti que está a acontecer.  Abre os olhos como se fosse a primeira vez e observa, ouve e sente. Há vozes que se erguem a todo o momento e chegou a tua vez. Não cales o teu coração só porque te irão apontar o dedo. Não acabes contigo apenas porque os outros não concordam. Os séculos de repressão e repreensão já estão volvidos e é época de mudança. É tempo de demonstrar que cada um de nós tem uma voz e com a sua história faz a de todos. Pensa. Senta-te e pensa. A tortura, a guerra, a intolerância, o racismo e a obsessão só fez do Homem um ser cada vez mais desprezível. A ganância acaba por destruir tudo à nossa volta. O uso da força apenas te tira o que mais queres. Usa as palavras e sê inteligente. Para quê manipular, se podes dissuadir? Nenhum de nós é uma marioneta controlada por dirigentes que saem impunes depois de tantos crimes. Por ti só, vales a pena. Não apontes do dedo, mas estica a mão. Não faças cair, ajuda a erguer. Vive em fair play com os outros.
Não quero que sejas o ser mais amado do universo. Todos sabemos que isso é impossível porque ninguém gosta de toda a gente. Porém, é melhor tentar ignorar os atos de violência que constantemente nos são apresentados e seguir em frente. Porque o resto são obstáculos. E há quem precise de ti.
Afirmar que estamos no século XXI e que muitos problemas estão ultrapassados, não é mentira. Mas é um “atirar areia para os olhos”. Vivemos num ciclo vicioso. Temos muito, gozamos demasiado, perdemos o que tínhamos e passamos a viver às custas do outro. E, claro, o Homem escolhe sempre o caminho que parece ser mais fácil: se não é como queres, recorres à violência. Moral da história: ficas pior do que inicialmente. E depois recuperas. Porque alguém te estendeu a mão quando mais precisavas e não te deixou cair. Não se importou com as vozes alheias.
Por isso, é a tua vez. Demonstra que tens força e que consegues mudar o que queres. Que tu não te calas só porque os outros falam mais alto. A passos de bebé vais conseguir mudar o mundo e torna-lo no sonho que todos desenhamos desde sempre: transformar o Mundo num lugar melhor para ti e para todos.
E, no final, eu pergunto: Porque é que temos de ser violentos? A felicidade está a um passo de distância.