9.3.13

Verdadeiro lugar


Mais uma noite que adormeço embalada pelas lágrimas da mágoa. Juro-te a ti e às estrelas que não sei o que há de errado comigo. Quanto mais quero que se orgulhem de mim, mais indiferentes são. Eu sei que gostas de mim, mas é inevitável falar da tua preferência. Até há bem pouco tempo era só eu, o que não te deixava muita escolha. Mas, agora, é ela a tua alegria. Eu, sou a paisagem do segundo plano.

Sim, eu olho para cima para não te demonstrar o quanto isso magoa. Não me abraço a ninguém quando mais preciso, porque sei que vou chorar. Invento desculpas patéticas de modo a justificar o meu silêncio. No entanto, o coração aperta e as palavras ecoam na minha cabeça. Não falem. Não aguento mais.

O meu maior desejo é chegar a casa todos os dias com boas novidades para te dar e para te alegrares de mim. Só que isso já não importa. É uma alegria passageira, que aparece só para eu não poder dizer que tu foste indiferente. Só para me resignares à minha simples existência. Ela não tem culpa, eu sei. Nem quero ser injusta, mas tu, se tiveres de escolher, será ela. Eu compreendo. Ela é a alegria, a novidade, e eu já perdi tudo o encanto que até poderia ter, “faço parte da mobília”. Queria deixar-te orgulhoso, encheres-te de lágrimas porque eu fiz sonhos da areia que tu me deste. Porém, isso já não me cabe a mim. Resta-me criar orgulho no que foi, na possibilidade inocente de fazer das memórias palcos de espectáculo  Não vou desistir. Apenas tenho de encontrar o meu verdadeiro lugar. 

19.1.13


Ao longo de todo o percurso histórico, a Humanidade assistiu a vários momentos de pura violência. O facto de submeter outras pessoas à vontade dos superiores, não demonstra nada para além do lado negativo que pertence a cada um de nós. Exemplos como a escravatura, o tráfico humano, o racismo ou guerras civis são apenas casos isolados dos imensos que ilustram a violência. Basta, a cada um de nós, retroceder algumas décadas, e atingimos o auge da brutalidade humana. O momento em que um simples homem declara guerra a praticamente um planeta inteiro e sacrifica milhares de pessoas para fazer valer a sua vontade. E, no fim, o que ficou depois de tanto sangue derramado, de tanta destruição? Nada. Os sonhos caíram por terra, a Humanidade fracassou e apenas restava a dor e o sofrimento. Mas o ser humano é um animal de hábitos. E, da mesma forma que vive a mágoa e a perda, rapidamente muda e esquece-se do seu passado. Faz da vida um livro de rascunho, e rasga o que não convém recordar.
Deste modo, ao tentar esconder de si os seus maiores erros, o ser humano permite que equívocos maiores possam acontecer. De que serve a Declaração Universal dos Direitos do Homem, se é violada constantemente?
A realidade é mais do que vivemos. A realidade é o mundo todo que nos abriga. Temos de ser tolerantes, mas não em demasia. Não podes fechar os olhos ao que acontece em teu redor só porque não é a ti que está a acontecer.  Abre os olhos como se fosse a primeira vez e observa, ouve e sente. Há vozes que se erguem a todo o momento e chegou a tua vez. Não cales o teu coração só porque te irão apontar o dedo. Não acabes contigo apenas porque os outros não concordam. Os séculos de repressão e repreensão já estão volvidos e é época de mudança. É tempo de demonstrar que cada um de nós tem uma voz e com a sua história faz a de todos. Pensa. Senta-te e pensa. A tortura, a guerra, a intolerância, o racismo e a obsessão só fez do Homem um ser cada vez mais desprezível. A ganância acaba por destruir tudo à nossa volta. O uso da força apenas te tira o que mais queres. Usa as palavras e sê inteligente. Para quê manipular, se podes dissuadir? Nenhum de nós é uma marioneta controlada por dirigentes que saem impunes depois de tantos crimes. Por ti só, vales a pena. Não apontes do dedo, mas estica a mão. Não faças cair, ajuda a erguer. Vive em fair play com os outros.
Não quero que sejas o ser mais amado do universo. Todos sabemos que isso é impossível porque ninguém gosta de toda a gente. Porém, é melhor tentar ignorar os atos de violência que constantemente nos são apresentados e seguir em frente. Porque o resto são obstáculos. E há quem precise de ti.
Afirmar que estamos no século XXI e que muitos problemas estão ultrapassados, não é mentira. Mas é um “atirar areia para os olhos”. Vivemos num ciclo vicioso. Temos muito, gozamos demasiado, perdemos o que tínhamos e passamos a viver às custas do outro. E, claro, o Homem escolhe sempre o caminho que parece ser mais fácil: se não é como queres, recorres à violência. Moral da história: ficas pior do que inicialmente. E depois recuperas. Porque alguém te estendeu a mão quando mais precisavas e não te deixou cair. Não se importou com as vozes alheias.
Por isso, é a tua vez. Demonstra que tens força e que consegues mudar o que queres. Que tu não te calas só porque os outros falam mais alto. A passos de bebé vais conseguir mudar o mundo e torna-lo no sonho que todos desenhamos desde sempre: transformar o Mundo num lugar melhor para ti e para todos.
E, no final, eu pergunto: Porque é que temos de ser violentos? A felicidade está a um passo de distância.