9.3.13

Verdadeiro lugar


Mais uma noite que adormeço embalada pelas lágrimas da mágoa. Juro-te a ti e às estrelas que não sei o que há de errado comigo. Quanto mais quero que se orgulhem de mim, mais indiferentes são. Eu sei que gostas de mim, mas é inevitável falar da tua preferência. Até há bem pouco tempo era só eu, o que não te deixava muita escolha. Mas, agora, é ela a tua alegria. Eu, sou a paisagem do segundo plano.

Sim, eu olho para cima para não te demonstrar o quanto isso magoa. Não me abraço a ninguém quando mais preciso, porque sei que vou chorar. Invento desculpas patéticas de modo a justificar o meu silêncio. No entanto, o coração aperta e as palavras ecoam na minha cabeça. Não falem. Não aguento mais.

O meu maior desejo é chegar a casa todos os dias com boas novidades para te dar e para te alegrares de mim. Só que isso já não importa. É uma alegria passageira, que aparece só para eu não poder dizer que tu foste indiferente. Só para me resignares à minha simples existência. Ela não tem culpa, eu sei. Nem quero ser injusta, mas tu, se tiveres de escolher, será ela. Eu compreendo. Ela é a alegria, a novidade, e eu já perdi tudo o encanto que até poderia ter, “faço parte da mobília”. Queria deixar-te orgulhoso, encheres-te de lágrimas porque eu fiz sonhos da areia que tu me deste. Porém, isso já não me cabe a mim. Resta-me criar orgulho no que foi, na possibilidade inocente de fazer das memórias palcos de espectáculo  Não vou desistir. Apenas tenho de encontrar o meu verdadeiro lugar.