Mais uma noite que adormeço embalada pelas lágrimas da
mágoa. Juro-te a ti e às estrelas que não sei o que há de errado comigo. Quanto
mais quero que se orgulhem de mim, mais indiferentes são. Eu sei que gostas de
mim, mas é inevitável falar da tua preferência. Até há bem pouco tempo era só
eu, o que não te deixava muita escolha. Mas, agora, é ela a tua alegria. Eu,
sou a paisagem do segundo plano.
Sim, eu olho para cima para não te demonstrar o quanto isso
magoa. Não me abraço a ninguém quando mais preciso, porque sei que vou chorar.
Invento desculpas patéticas de modo a justificar o meu silêncio. No entanto, o
coração aperta e as palavras ecoam na minha cabeça. Não falem. Não aguento
mais.
O meu maior desejo é chegar a casa todos os dias com boas
novidades para te dar e para te alegrares de mim. Só que isso já não importa. É
uma alegria passageira, que aparece só para eu não poder dizer que tu foste indiferente.
Só para me resignares à minha simples existência. Ela não tem culpa, eu sei. Nem
quero ser injusta, mas tu, se tiveres de escolher, será ela. Eu compreendo. Ela
é a alegria, a novidade, e eu já perdi tudo o encanto que até poderia ter, “faço
parte da mobília”. Queria deixar-te orgulhoso, encheres-te de lágrimas porque
eu fiz sonhos da areia que tu me deste. Porém, isso já não me cabe a mim.
Resta-me criar orgulho no que foi, na possibilidade inocente de fazer das
memórias palcos de espectáculo Não vou desistir. Apenas tenho de encontrar o
meu verdadeiro lugar.