12.12.12



Se o silêncio queimasse as folhas secas do Outono, as ruas estariam sós e os becos perdidos. Pelas avenidas infindáveis perder-se-iam o amor e a saudade eterna. Haveria um homem em cada esquina escondida a apregoar o calor humano vendido em cartuchos de castanhas. E esse encruzilhado de ruas e vielas seria a alma manchada de um ser desprovido de paz e serenidade.
As árvores estão nuas e os ramos secos. Não há luzes intermitentes de semáforos abandonados nem vento que me refresque. Está um calor infernal dentro destas paredes sem fim. Tudo está separado, mas funciona como um só. Há um ruído irritante de fundo que se assemelha a um motor antigo.
tenho saudades tuas. Uma saudade que se descontrola a cada passo não contado, a cada respiração desmedida... Se perdi as vozes e os recortes de fotografias, tu continuas perfeito, imaculado em cada traço. O teu perfume está guardado em mim, o teu cabelo ainda se prendo nos meus dedos. Apareces nos rostos que não te pertencem e crias inspiração a partir do nada. Estás eternizado em objetos meus, em palavras que nunca ouviste e em toques que nunca sentiste.
O vento gelado que me bate na cara e congela, segura-me as lágrimas que se escondem atrás do olhar enublado. Precisava de um surto de coragem que me fizesse ir ao teu encontro e abraçar te como sempre sonhei. Deixei coisas por fazer porque tu pedias.
Agora as pontes estão vazias. Não há flores entre as veredas iluminadas da ternura. O céu é negro e as estrelas brilham ao longe. Vou de mãos dadas com a noite e os meus cabelos enleiam a saudade.
Tenho a alma cansada. O chão que piso é errante e não me leva mais à aurora da madrugada. As traças na gaveta do esquecimento corroeram as memórias ancestrais e as vozes perdidas do presente.
Sei que tudo o que está em meu redor um dia desaparecerá. Então, eu guardo os sonhos, porque são eternos enquanto eu os desenhar. AS andorinhas voam livres com o vento, esperando a terra prometida. Os sapos coaxam ininterruptamente, ocupando a solidão da princesa encantada que não chega.
As mãos estão marcadas pelo sol do inverno que iluminou a valsa da escrita. Os lábios secam com a saudade. Os olhos são lagos de lágrimas eternamente minhas. O pensamento já não flui aleatoriamente, deixando um rasto de flores para trás. Ao cair da noite desaparece o sol e regressa a escuridão quebrada pelos suaves raios do luar. Em mim, aparecem também as sombras do que deixei partir sem lutar. erros meus.
Neste momento a sorte joga cartas com o azar e as probabilidades não estão a meu favor. Um valete foi recolhido e a dama ficou sozinha. Mas esta também rapidamente desaparece sem deixar pegadas na areia fria. Pobre Inês que tão cedo partiste e abandonaste Pedro nas mãos da vingança e da saudade!...
Estico os dedos até ao raio de sol empoeirado. Aqueço-me numa realidade que é minha. Cada minúscula partícula de um algo que foi e se desintegrou pousa em mim e descansa. Transformo-me nessa poeira que é Vida. junto pedaços do que fui e renasço. Sou um trapo do passado que vive o presente e desenha o futuro com um pincel invisível e aguarelas de chuva. Sou preto no branco no meio de uma paleta. Sou um ponto no meio de muitos. Sou.

27.11.12


Alguma vez te sentiste desenquadrado? Porque todos não e tu sim? Ou ao contrário. Aquela sensação que nos engole a alma e parece estar presente em cada esquina de ti. Como se um buraco negro existisse dentro de ti e rasgasse tudo o que há e o que está para vir.
Alguma vez te sentiste culpada por algo que não fizeste? Porque os outros têm e tu não? Ou ao contrário. Como se o local onde estás é completamente irreal e cada ato teu se refletisse numa consequência deplorável.
Alguma vez sentiste que estavas no lugar errado? Porque os outros gostam e tu não? Ou ao contrário. Aquele sonho que te atormenta de que deverias estar num local a quilómetros dali porque esse sim é o teu meio, o sítio onde pertences.
Eu sim. Resposta franca e monótona. É como se a água quente do Verão e os glaciares do Inverno eterno se afrontassem contra mim numa guerra transparente e silenciosa. E a única prova do depósito das mágoas ancestrais é uma alma mal cuidada e desastrada. Que calca vidros pontiagudos e pedras oblíquas.
A Vida é um jogo. Como aqueles de futebol em que tens de trabalhar em equipa, mas demonstrar o teu valor individual. Só que aqui não marcas golos, Alcanças sonhos e concretizas desejos.
Alguma vez te sentiste incapaz de fazer alguma coisa? Porque os outros não podem e tu sim? Ou ao contrário. É como se o Mundo se disfarçasse e, subitamente, deixasse transparecer as suas manhas. Como um labirinto onde te perdes e lutas pela saída. Tal como um beco sem saída num espaço circular em que giras e dás sempre no mesmo lugar. O Mundo é cruel e o maior manifesto é a morte. Repara: se matas uma pessoa és assassino, mas matas melhores e és herói. Onde está a lógica? Onde está tudo o que era e já não é mais? É o caos perfeito para a inutilidade.
Chega de conversas medíocres e sistemáticas. São assassinas das almas sonhadoras e irrefletíveis. O sonho é real. Basta acreditar que a realidade é tua.
O Outono sopra as suas últimas folhas. Aproxima-se o vento frio do Inverno gelado. É símbolo do futuro e este é como um diamante que precisa de ser lapidado. Para ter a forma que eu quero.

Acredita

Acredita em cada palavra que te digo num sussurro. promete que não duvidas das canções de embalar que entoo com a melodia do Outono.
A felicidade está dentro de nós e é preciso lutar por ela. O sol nasce e deitasse todos os dias com a mesma naturalidade com que deves enfrentar os desafios. A dor vai estar presente, tal como a saudade e a mágoa. Mas o som das gargalhadas e a ventura acenam-te do ponto de chagada. Agora não há coroa de louros como na época volvida dos romanos. Aqui existe paz contigo própria e a vida feliz. Não. Eu não disse que é constante. A mudança é inevitável e é constante. Vais perder e vais ganhar. Foi e sempre será assim. Não o podes alterar. Só te resta resistir e não te conformares. Vai à luta ! Faz valer a tua vontade !
Mas não te esqueças que eu estou aqui. para te enxugar as lágrimas e limpar o suor da caminhada. Ou então   para festejar a tua glória. Acredita no que te digo. Promete que não te esqueces de cada lágrima minha, de cada harmonia primaveril e de cada promessa ao vento.
E lembra-te: a alegri está na luta, na tentativa, no sofrimento, no esforço e e ti. Aproveita a viagem, a vitória é só o prémio !