12.12.12

Tenho a alma cansada. O chão que piso é errante e não me leva mais à aurora da madrugada. As traças na gaveta do esquecimento corroeram as memórias ancestrais e as vozes perdidas do presente.
Sei que tudo o que está em meu redor um dia desaparecerá. Então, eu guardo os sonhos, porque são eternos enquanto eu os desenhar. AS andorinhas voam livres com o vento, esperando a terra prometida. Os sapos coaxam ininterruptamente, ocupando a solidão da princesa encantada que não chega.
As mãos estão marcadas pelo sol do inverno que iluminou a valsa da escrita. Os lábios secam com a saudade. Os olhos são lagos de lágrimas eternamente minhas. O pensamento já não flui aleatoriamente, deixando um rasto de flores para trás. Ao cair da noite desaparece o sol e regressa a escuridão quebrada pelos suaves raios do luar. Em mim, aparecem também as sombras do que deixei partir sem lutar. erros meus.
Neste momento a sorte joga cartas com o azar e as probabilidades não estão a meu favor. Um valete foi recolhido e a dama ficou sozinha. Mas esta também rapidamente desaparece sem deixar pegadas na areia fria. Pobre Inês que tão cedo partiste e abandonaste Pedro nas mãos da vingança e da saudade!...
Estico os dedos até ao raio de sol empoeirado. Aqueço-me numa realidade que é minha. Cada minúscula partícula de um algo que foi e se desintegrou pousa em mim e descansa. Transformo-me nessa poeira que é Vida. junto pedaços do que fui e renasço. Sou um trapo do passado que vive o presente e desenha o futuro com um pincel invisível e aguarelas de chuva. Sou preto no branco no meio de uma paleta. Sou um ponto no meio de muitos. Sou.

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